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Resenha: História dos testes psicológicos: origens e transformações

Publicada em 19/02/2018

O primeiro capítulo, intitulado Conhecer é medir: Francis Galton, descreve a trajetória de Francis Galton, que desde pequeno mostrou-se um prodígio; com 12 meses já reconhecia as letras maiúsculas do alfabeto e aos 2 anos leu seu primeiro livro. Porém, mesmo com a facilidade em aprender, Galton enfrentou grandes dificuldades quando ingressou na escola e mais ainda quando entrou na faculdade. Arriscou-se por diferentes áreas como, matemática, medicina e geografia. Sua trajetória foi marcada por altos e baixos até que em 1869 publicou a obra Hereditary genius, que tinha como objetivo mostrar que as habilidades naturais do homem estão debeladas aos mesmos limites da forma e das características físicas de todo o mundo orgânico. O garoto prodígio, mesmo nascido em uma família estruturada que o apoiava em seus estudos intelectuais, não conseguiu superar o desempenho de alguns colegas, o que o levou a acreditar que o desempenho de algumas pessoas só poderia vir de uma habilidade natural. Seguindo essa linha, Galton continuou seus estudos que o conduziram a um projeto maior: a prática de sua tese no aperfeiçoamento da espécie. Desse modo, sua principal contribuição diz respeito aos métodos de pesquisa, pois foi um investigador da aplicação da matemática na pesquisa. Suas ideias associadas à obra de Alfred Binet foram de grande importância para o futuro da psicologia.

O capítulo seguinte, Conhecer é compreender: Alfred Binet, discorre sobre a história de Binet, psicólogo francês que teve papel fundamental na psicologia. Sua caminhada envolveu a descoberta do fenômeno, da transferência, das pesquisas por experimentação, entre outras. Mas foi observando suas filhas, então com 4 e 2 anos, que começou a pensar no desenvolvimento cognitivo. Nessa época, Binet publicou várias obras, até que em 1882, com uma nova lei sobre o estudo aplicada na França, Simon e Binet começaram a estudar a inteligência. Em 1905 foi publicada a primeira versão da Escala Binet-Simon de Inteligência. Posteriormente, foram feitas duas revisões da obra que foram publicadas em 1908. Faleceu em 1911.

Os testes psicológicos tiveram, então, sua origem em diferentes regiões: na Inglaterra com Galton e na França com Binet, assunto tratado no terceiro capítulo, Da Europa para os Estados Unidos: diferenças e distorções. A psicologia começou nos Estados Unidos, com Cattel, que estudava as mudanças que ocorrem com o tempo, suas inter-relações e variações em diferentes situações. No entanto, por não apoiar os Estados Unidos na 1ª Guerra Mundial, foi demitido da Universidade de Colúmbia e passou a se dedicar à editora que fundou: a Phychological Corporation. Com o fim da guerra, o país volta a crescer e passa a oferecer diversas oportunidades que acabaram por atrair muitos imigrantes, no entanto não se se deram conta de que precisavam barrar a entrada de pessoas “indesejáveis” (débeis mentais). Foi quando o psicólogo Goddard, diretor do departamento de pesquisa de uma escola para deficientes mentais em New Jersey, passa para os psicólogos a tarefa de diagnosticar a deficiência mental e começa a utilizar a Escala Simon-Binet em crianças de uma escola. Depois de algumas pesquisas e aplicações de outros profissionais, Lewis Terman, da Universidade de Stanford, identificou alguns problemas na escala Simon-Binet e passou a dirigir seus estudos a ela. Em 1916 divulgou a versão adaptada e ampliada que denominou Escala Stanford-Binet, que media também a inteligência em adultos.

Em A investigação da personalidade, é abordado o desenvolvimento da personalidade na história da psicologia. Esse construto começou a ser investigado em 1910, seguindo duas vertentes: a de Binet, com as provas psicológicas com contribuições da psicanalise, e a galtoniana da análise quantitativa e da comparação. No entanto, Dilthey, filósofo, historiador e crítico literário alemão, pensando em uma psicologia ligada à filosofia com o projeto wundtiano, não acreditava nessas vertentes. Para ele a psicologia deveria entender o significado psicológico presente nas ações das pessoas. É por meio da análise da ligação entre a realidade histórico-social e os indivíduos, suas unidades vitais e a identificação das necessidades e dos valores em torno dos quais se organiza que o indivíduo deve ser analisado. Outros filósofos alemães também desenvolveram essa ideia e surgiram, assim, as análises de expressão facial, gestos, postura física e movimento, constituição corporal, entre outras. Esses filósofos acreditavam que por meio dessas expressões era revelada a vida afetiva e personalidade do indivíduo e chamaram essa técnica de métodos expressivos. Em 1904, o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, criou uma prova psicológica em que as associações do paciente são interpretadas para revelar suas tendências e seus conflitos. Outro psiquiatra influente foi Hermann Rorschach, que desenvolveu o Psicodiagnóstico de Rorschach, um método que utiliza manchas de tinta, para entender, por meio da análise da percepção, a organização subjacente dos indivíduos. Em 1935, Henry Murray e Christiana Morgan publicaram o Teste de Apercepção Temática (TAT), que se caracteriza por cenas padronizadas apresentadas aos indivíduos que, a partir delas, devem contar histórias sobre o que veem nas imagens. Assim, por meio das histórias são reveladas as características desse indivíduo. Com o uso cada vez mais frequente desses métodos, a psicologia teve de desenvolver regras para regular e coordenar a atividade dos profissionais, para que os testes contribuíssem para a profissão ou, ao menos, não prejudicassem a profissão.

O primeiro teste de personalidade no papel foi criado em 1917, quando foi necessário recrutar americanos para a 1ª Guerra Mundial. Woodworth tinha em mãos uma lista de sintomas e traumas de guerras que reuniu e organizou em um questionário com 116 questões simples, que tinha o objetivo de identificar aspectos como moral, ansiedades, medos, entre outros.

Na década de 1920, Allport e Allport adotaram uma abordagem multidimensional para avaliar a personalidade. Eles acreditavam que ela era formada por quatro dimensões: inteligência, temperamento, autoexpressão e sociabilidade. Nos períodos seguintes, diversos estudiosos desenvolveram escalas e técnicas para a avaliação da personalidade.

No quinto capítulo, Os testes psicológicos chegam ao Brasil, a autora explica que com os acontecimentos da 2ª Guerra, é na Grã-Bretanha, que tinha ampla tradição matemática, que surgem dois grandes ícones da psicometria: Charles Spearman, que desenvolveu a análise fatorial, o coeficiente de correlação e a noção de fator G, e Karl Pearson, responsável pelo desenvolvimento do coeficiente de correlação produto-momento, a regressão linear e o qui-quadrado. Com a influência americana, a psicologia tornou-se uma psicologia aplicada, e o uso de testes ganha espaço na psicologia. No Brasil a utilização dos testes se deu por meio da educação, porém em pouco tempo acaba sendo comum em diversas áreas. Os testes ganham notoriedade em 1924 com a publicação da obra Tests: introduccção ao estudo dos meios scientíficos de julgar a intelligência e a applicação dos alunos.  Com a modernização dos processos administrativos no Brasil, os instrumentos psicométricos começam a ser usados nas organizações de trabalho, e instrumentos, como o psicodiagnósticos de Rorschach, passam a ser utilizados na clínica. Desse modo, a associação entre a prática da profissão e o uso de instrumentos tornou-se comum.

Nos capítulos Da aproximação à retificação e Técnicas para medir, técnicas para compreender são exploradas as análises estatísticas que começam a ser adotadas na elaboração dos testes. Com críticas, positivas e negativas, o coeficiente de correlação e a análise fatorial influenciaram tanto os instrumentos de avaliação da inteligência como os de personalidade. Aspectos, como a natureza dos instrumentos, fundamentação, compreensão das características cognitivas e de personalidade, situação de aplicação, analise e natureza dos dados obtidos, critérios e validação dos instrumentos, são pontos importantes que foram discutidos pela autora para melhor compreensão do desenvolvimento desses fatos.

Desse modo, a autora consegue explanar os fatos mais marcantes da história de maneira objetiva e clara, tornando a leitura do livro leve e prazerosa.


Autora: Emanuelle Arsuffi (CRP 06/100099)

Minicurrículo: Psicóloga, especialista em Psicopedagogia Clínica e Institucional pela Universidade São Francisco. Experiência em Avaliação Psicológica para recrutamento e seleção desde cargos operacionais à gerenciais. Conhecimento e experiência em diversos instrumentos psicológicos. Psicóloga do Departamento de Produtos e Pesquisa da Vetor Editora.
 

 

Créditos: Vetor Editora